5. COMPORTAMENTO 14.8.13

1. IMVEIS - VIVER EM UMA FERRARI
2. O HOMEM QUE COMPRA IDEIAS
3. CASO ISABELLA: SURGE UMA OUTRA VERSO
4. O MISTRIO DE MARCELO

1. IMVEIS - VIVER EM UMA FERRARI
A marca italiana, uma das mais desejadas do mundo, empresta seu glamour agora para o setor imobilirio, com a construo de um condomnio de luxo em Cingapura
Natlia Mestre

As elegantes linhas da Ferrari Testarossa, um mito dos anos 1980 imortalizado por Al Pacino no filme Perfume de Mulher, foram traduzidas para um novo projeto arquitetnico: uma torre residencial de 102 metros de altura que far parte do condomnio de luxo Ferra, em Cingapura, com inaugurao prevista para 2017. O edifcio foi concebido pelo estdio italiano Pininfarina, famoso pelo desenho dos modelos mais icnicos da escuderia, numa parceria que j dura 60 anos e que agora faz a sua estreia no setor imobilirio. Tentamos alcanar a sntese perfeita entre esttica e funcionalidade, diz o CEO Paolo Pininfarina. Quero voltar s minhas razes e associar novamente o nosso estilo e a nossa marca ao mundo do luxo.  dele a assinatura da fachada e do interior do edifcio, que ter 104 apartamentos com preos iniciais de US$ 2,35 milhes.

ELEGANTE - O edifcio foi inspirado na Ferrari Testarossa, um cone dos anos 1980

O objetivo  fazer com que o proprietrio se sinta realmente vivendo em uma Ferrari, um valor em si, uma vez que a marca da pequena cidade de Maranello  uma das mais desejadas do mundo. Segundo estudo da consultoria britnica BrandFinance, a grife italiana de US$ 3,6 bilhes  a mais valiosa da atualidade. Embora a escuderia no seja a maior empresa do planeta, ela alcanou esse posto por conseguir encontrar uma frmula nica entre marketing e publicidade, capaz de despertar o imaginrio, a admirao e a lealdade de seus clientes. O moderno edifcio ter um conceito de dualidade, dando a impresso de existir duas torres diferentes. Uma metade ter linhas sinuosas e fluidas com uma colorao vermelha  remetendo  Ferrari , enquanto a outra ser preta, com linhas que expressam mais fora e velocidade, uma boa maneira de prestigiar a potncia do cavalo rampante. Alm de apartamentos de 68 m a 83 m e de duas penthouses de 187 m cada, distribudos ao longo de 22 andares, o condomnio conta com lojas, restaurantes e academia. Mas o grande destaque ser a garagem. Afinal, ela abrigar as verdadeiras estrelas da casa.


2. O HOMEM QUE COMPRA IDEIAS
Com enorme capacidade de apostar em novos projetos e reinventar antigos negcios, o bilionrio Jeff Bezos, dono da Amazon, adquire o "The Washington Post", mais uma de suas dezenas de empresas
Joo Loes

Com patrimnio estimado em US$ 25,2 bilhes, o equivalente a R$ 57,3 bilhes, so poucas as coisas que o americano Jeff Bezos, 49 anos, dono da Amazon.com, no pode comprar. Sua ltima grande aquisio, porm, surpreendeu at quem conhece o ecletismo dos investimentos do magnata do varejo online. Foi com pompa que o bilionrio anunciou, na segunda-feira 5, a compra do lendrio jornal americano The Washington Post, famoso, entre outras coisas, por ter revelado, em 1972, o escndalo Watergate, que terminou por forar a renncia do ento presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Por US$ 250 milhes, Bezos assumiu um peridico que registrou perdas de US$ 49 milhes s em 2013, tem metade dos assinantes que tinha em 1993 e, embora ainda produza timo jornalismo, caminha sem rumo. Os valores do The Washington Post no mudam, assegurou Bezos, em comunicado emitido na prpria segunda-feira. E estou muito otimista com o futuro.

PACIENTE - Para que uma nova iniciativa d resultados, ele espera pelo menos cinco anos

Para entender o otimismo aparentemente desmedido de Bezos diante da complicada situao do The Washington Post e, mais genericamente, da indstria do jornalismo, vale retomar a trajetria do bilionrio e de seus investimentos. No  de hoje que ele  tido como um dos poucos magnatas do Vale do Silcio com viso de longo prazo, seja nos negcios que fundou, seja nas empresas das quais  scio. A lgica  que, se a ideia  boa o suficiente para Bezos, ele est disposto a investir e a esperar. Na sua Amazon, por exemplo, hoje avaliada em US$ 140 bilhes, ele j se acostumou a dar um prazo de cinco e sete anos para que novos projetos rendam dividendos. Com a mesma pacincia, espera resultados da cara e lenta indstria de turismo espacial, da qual ele faz parte com sua Blue Origin, fundada em 2000. Na ltima dcada, estima-se que ele tenha despejado ao menos US$ 175 milhes na empresa, mesmo tendo perdido, em 2011, um dos prottipos da nave que levar seus clientes ao espao.

Comportamento parecido pode ser observado em quase todas as outras 29 empresas do bilionrio, entidades filantrpicas e organizaes sem fins lucrativos das quais ele  investidor. E no ser diferente no caso do The Washinton Post. Bezos acredita no jornalismo, embora tenha dito, em mais de uma ocasio, que o papel, seu suporte mais popular, esteja com os dias contados. Sempre que algo grande  feito de maneira ineficiente, surge uma oportunidade, disse Bezos, em 2010. Com pacincia e bolsos fundos, ele est em posio privilegiada para aproveitar essa oportunidade.


3. CASO ISABELLA: SURGE UMA OUTRA VERSO
Percia realizada nos Estados Unidos conclui que a menina de 5 anos no foi esganada antes de ser jogada pela janela e pode reabrir as investigaes do processo que condenou Anna Carolina e Alexandre Nardoni
por Antonio Carlos Prado

DIA A DIA NO CRCERE - Anna Carolina em sua cela escrevendo carta para o marido, Alexandre. Na biblioteca da penitenciria masculina, ele se interessa pelos clssicos da literatura brasileira

A quinta-feira 25 de julho foi o melhor dia na vida do casal Alexandre Alves Nardoni e Anna Carolina Jatob Nardoni desde que foram presos em 2008, acusados pela morte da pequena Isabella  filha biolgica dele, enteada dela. Logo pela manh, eles receberam de seus advogados a notcia de que uma percia sobre o caso acabara de ser concluda nos EUA. No laudo, assinado pelo cientista James Kwangjune Hahn, Ph.D. e diretor do Instituto de Engenharia Biomdica da Universidade George Washington, consta categoricamente que a garotinha, na poca com 5 anos, no sofreu esganadura antes de ser arremessada por uma janela do sexto andar de um edifcio de classe mdia na zona norte de So Paulo. O crime ocorrido em maro de 2008 chocou o Pas e, dois anos depois, Anna e Alexandre foram condenados como os autores do homicdio. A ela foi imposta uma pena de 26 anos de recluso e a ele de 30 anos. A concluso da percia feita nos EUA no aponta quem matou Isabella, mas tem fora suficiente para reabrir as investigaes sobre o caso na Justia brasileira. Na semana passada, Anna e Alexandre concederam entrevistas exclusivas  ISTO (leia acima e na pg. ao lado) e ambos se mostraram bastante otimistas com a possibilidade de que novas investigaes venham a ser feitas.

Segundo a verso policial que fundamentou o julgamento, Anna e Alexandre brigaram por cime na noite de 29 de maro de 2008. Ela teria ento agredido a enteada, agarrando o seu pescoo pela frente com as duas mos, esganando-a. Alexandre teria cortado a tela de proteo na janela de um dos dormitrios do apartamento e arremessado a prpria filha para o jardim do edifcio, simulando que sua famlia havia sido vtima de um latrocnio. Com o resultado da percia realizada nos EUA, o advogado do casal, Roberto Podval, vai pedir a reabertura do processo. Em casos semelhantes,  comum que o Ministrio Pblico tambm solicite novos exames periciais para dirimir as dvidas. O parecer feito nos EUA ao qual ISTO teve acesso tem 100 pginas e cerca de 500 referncias bibliogrficas internacionais.

Todo o trabalho foi produzido a partir das provas colhidas pela polcia paulista durante as investigaes, como fotos, depoimentos, radiografias do pescoo de Isabella e um filme de reproduo simulada que ilustra a verso oficial para o crime. Na concluso de seus trabalhos, James Hahn afirma: Comparando-se as mos de Anna Carolina com as marcas descritas e vistas em Isabella, conclumos que tais marcas no poderiam ter sido produzidas pelas mos de Anna Carolina e comparando-se as mos de Alexandre Nardoni com as marcas descritas e vistas em Isabella conclumos que tais marcas no poderiam ter sido produzidas pelas mos de Alexandre. Hahn observa que no pescoo de Isabella existem trs marcas no lado direito e nenhuma na parte anterior, ao contrrio do que a polcia diz. Eu endosso na ntegra o estudo americano, diz a professora de percias criminais brasileira Roselle Soglio, que atuou em parceria com a equipe americana.  importante observar que apesar de hoje os dedos de Alexandre e de Anna poderem estar mais gordos ou mais magros, o que conta na esganadura  a estrutura ssea das mos, e ela continua a ser a mesma da poca da morte de Isabella. Hahn anota, ainda, que no h sinais de utilizao de polegares das mos do agressor, e eles tm necessariamente de estar presentes em casos de esganadura, pois funcionam como contrapontos de apoio de fora para que os demais dedos se fechem, pressionem e asfixiem a vtima. Escreve Hahn: A dinmica do evento esganadura descrito no processo no suporta a hiptese de as marcas descritas nos relatrios de autpsia terem sido produzidas por mos e dedos.

Fui aos EUA buscar esse parecer, porque tanto a polcia de So Paulo quanto o Ministrio Pblico costumam elogiar a qualidade do que eles produzem, diz Podval. Embora saibam que o fato de no ter havido esganadura no os livra automaticamente da acusao de terem matado Isabella, Anna e Alexandre acreditam que uma nova investigao possa trazer outros elementos para o crime. No agredi a Isabella, no esganei e no matei, disse Anna Carolina na sexta-feira 2. Como tem feito nos ltimos cinco anos, ela havia acordado s 4h30 para ser a primeira a tomar banho, trabalhou at 16h30 na oficina de costura do presdio e iria escrever para Alexandre depois de assistir aos telejornais da noite. Acho que agora minha vida pode mudar, disse Alexandre na segunda 29, depois de saber sobre o laudo elaborado nos EUA. Na cadeia, ele acorda s 5h30 e trabalha fazendo carteiras escolares.


4. O MISTRIO DE MARCELO
Todas as respostas para a chacina da famlia de policiais, que estarreceu o Pas, convergem para as ltimas horas de vida do adolescente de 13 anos 
Natlia Mestre e Monique Oliveira

Pai, me, filho, av, tia-av. Todos mortos com tiros na cabea entre a noite do domingo 4 e a madrugada da segunda-feira 5, na Vila Brasilndia, zona norte de So Paulo. Os donos da casa eram policiais experientes, sendo o pai sargento da Rota, batalho de elite da Polcia Militar. Nada foi roubado do local, o que comps um cenrio envolto em mistrio. Todas as respostas para essa tragdia que estarreceu o Pas na semana passada convergem para o adolescente Marcelo Pesseghini, de 13 anos, o ltimo a morrer. Segundo a polcia, ele seria o autor dos quatro crimes executados com tiros precisos e teria se suicidado aps voltar da escola e cair em si. Para outros, ele foi a quinta vtima dessa chacina que dizimou uma amorosa famlia de classe mdia, que se dividia em duas casas no nmero 42 da rua Dom Sebastio  na da esquerda, a maior, moravam Lus Marcelo Pesseghini, 40 anos, a esposa Andria Regina Bovo Pesseghini, 36 anos, cabo do 18 Batalho, e o filho, Marcelo. Na do lado, Benedita de Oliveira Bovo, 67 anos e Bernadete Oliveira da Silva, 55, me e tia de Andria, respectivamente  e passava os finais de semana entre churrascos no quintal e viagens ao stio de Rio Claro, no interior paulista.

FAMLIA - Andria e Lus Marcelo com o filho, Marcelo, em 2010: o menino queria ser policial, como eles, e costumava visitar o batalho do pai. Um PM amigo da famlia disse  polcia que o garoto sabia atirar

Diante dessa tragdia ainda cheia de interrogaes, existem dois cenrios. No primeiro deles, de acordo com a polcia civil, Marcelo matou os parentes entre a noite de domingo e a madrugada de segunda, pegou o carro da me, um Corsa Classic, dirigiu at a escola e passou a madrugada dentro do veculo. Pela manh, ele frequentou as aulas normalmente e voltou de carona para casa com o pai do seu melhor amigo. Chegando l, teria se matado. Segundo a percia, todos os tiros saram da mesma arma, a pistola .40 que pertencia a Andria e foi encontrada na mo esquerda do garoto, que estava com o dedo no gatilho. Imagens da cmera de segurana de um prdio que fica na mesma rua do Stella Rodrigues, colgio particular na Freguesia do , so fortes indcios para a polcia. Os registros mostraram, por volta da 1h25, um carro estacionando. Depois, em torno das 6h23, um garoto desce, coloca a mochila nas costas e segue em direo  escola.  Marcelo, na verso dos investigadores. Um par de luvas foi encontrado no automvel. Percias feitas nas duas casas tambm encontraram outras trs armas intactas que pertenciam  Andria e no identificaram registros de arrombamentos.

Segundo o delegado do Departamento de Homicdios e de Proteo  Pessoa (DHPP), Itagiba Franco, responsvel pelas investigaes, o fato de os armamentos no terem sido roubados afasta ainda mais a hiptese de ao do crime organizado, levantada inicialmente. Tambm foram encontradas receitas de remdios para dormir na casa de Benedita e Bernadete, o que ajudaria a entender por que as duas no ouviram os tiros e ameaaram alguma reao  de acordo com a polcia, Lus Marcelo teria sido o primeiro a morrer, seguido da mulher, da av e da tia. Familiares confirmaram que Bernadete sofria de depresso, tomava remdios e, inclusive, estava morando com a irm por causa da doena. O depoimento do melhor amigo de Marcelo, tambm de 13 anos, foi decisivo para reforar a suspeita de crime familiar. Ele tinha o plano de matar os pais durante a noite, quando ningum soubesse, fugir com o carro deles, ser matador de aluguel e morar em um lugar abandonado, teria dito o amigo  polcia. O pai desse adolescente, que deu carona para Marcelo, contou, tambm em depoimento, que antes de sair, o garoto avistou o carro da me. Ele foi at o veculo, pegou um objeto e o colocou na bolsa. Pode ser a arma, mas no sabemos, disse Itagiba.

DINMICA DO CRIME - A casa dos Pesseghini, na Vila Brasilndia, em So Paulo: percia ir determinar horrio das mortes e se vtimas estavam dopadas

Ainda segundo a polcia, no quarto de Marcelo havia diversas armas de brinquedo. Na mochila da escola, um revlver 32, uma faca, rolos de papel higinico e mudas de roupa. Uma das professoras afirmou aos investigadores que Marcelo havia perguntado se ela sabia dirigir quando era criana e se havia atingido de alguma forma os pais. Para outra, o menino contou que j tinha dirigido um buggy. Em depoimento na quinta-feira 8, o policial militar Joo Batista da Silva Neto, vizinho da famlia, afirmou que o menino havia aprendido a atirar com os prprios pais e frequentava aulas de tiro em um estande na zona sul da capital paulista. O delegado ainda citou que Marcelo tinha 1,60 m e no era um garoto franzino, apontando que ele tinha condio de manipular a arma.

Se a polcia conduz sua investigao na direo do filho dos policiais, especialistas garantem que, para Marcelo ser realmente o assassino, ele teria que demonstrar distrbios de comportamento e traos de psicopatia muito evidentes.  muito difcil que um menino de 13 anos tenha orquestrado uma chacina com esse grau de refinamento sem um transtorno de conduta, afirma Priscila Gasparini Fernandes, psicanalista infantil com especializao em suicdio. Dentro dessa hiptese, o cenrio que se tem  de um menino doente, que tomava muitos remdios e era cercado de cuidados, portador de fibrose cstica, doena gentica grave que afeta o funcionamento de secrees do corpo, levando a problemas nos pulmes e no sistema digestivo, alm de diabtico. Segundo relatos, Marcelinho, como era chamado, era um garoto tmido e de poucos amigos que passava horas jogando videogame, especialmente o violento Assassins Creed. A combinao explosiva entre jogos violentos (leia  pag. 70) e o convvio em um ambiente familiar de policiais, onde relatos de mortes, prises e perseguies poderiam fazer parte do dia a dia e contribuir para formar uma cultura de violncia, pode ter sido fatal. O adolescente no cansava de falar que admirava o trabalho de seus pais. A vizinha Elisa Rosa, 84 anos, que mora em frente  casa da famlia Pesseghini, garante que os pais permitiam, inclusive, que o adolescente fizesse pequenos percursos ao volante e depois estacionasse o carro na garagem. Ele sabia dirigir e adorava ficar no porto com uma arma de brinquedo, fingindo que atirava nas pessoas.

No segundo cenrio, Marcelinho passa de algoz a vtima. Esse crime, do jeito que est descrito, crava que o menino era um manipulador, afirma Dalka Ferreira, do Centro de Referncia s Vtimas de Violncia do Instituto Sedes Sapientiae, de So Paulo. Para isso, a criana deveria apresentar uma relao conflitante com os pais e traos de frieza. Ao contrrio, familiares e amigos descrevem Marcelinho como um garoto amvel e ligado  famlia. Era comum v-lo com a av ou com os animais da casa, um labrador preto e dois gatos, sempre muito afvel e sem motivo algum para cometer tamanha barbrie  motivo esse que, at agora, a polcia tambm no encontrou. Estamos todos em choque. Eles eram uma famlia muito feliz, nunca vi uma briga ou discusso, diz Edineide Ferreira, balconista de 36 anos e amiga de Andria. Os vizinhos so unnimes em classificar a av, chamada carinhosamente de dona Ben, como uma mulher muito prestativa, sorridente e apaixonada pelo neto. Eu sempre via os dois brincando no quintal, afirma Severino Jos da Silva, 76 anos.

MANH DE 5 DE AGOSTO - Imagem de Marcelo ( esq.) aps sair do carro Corsa Classic (acima) que ficou estacionado perto da escola onde ele estudava

O empresrio Sebastio de Oliveira Costa, tio de Andria, refora que Marcelo no tinha nenhum trao de agressividade, pelo contrrio, era um bom garoto, sempre tranquilo. Visitava a famlia a cada 15 dias. Chegava l, o Marcelinho vinha correndo, me pedia a bno, e voltava brincar. No vou sossegar enquanto no descobrir o autor dos crimes, diz. Ele acredita que a famlia tenha sido vtima de algum tipo de retaliao, possibilidade que ganhou fora quando o comandante do 18 Batalho da Polcia Militar, coronel Wagner Dimas, afirmou em entrevistas que Andria Pesseghini havia colaborado com informaes para uma investigao contra colegas que participavam de roubos de caixas eletrnicos. Em depoimento na Corregedoria da PM, porm, o coronel voltou atrs. Em nota, a escola em que o adolescente estudava desde os 5 anos definiu Marcelo como um garoto dcil, alegre, com boas relaes com os colegas e o corpo docente do colgio e que sempre alcanou um bom rendimento pedaggico, apresentando comportamento e atitudes normais. Uma das professoras que deu aula para Marcelo no seu ltimo dia, Ana Paula Alegre, publicou seu lamento em uma rede social. Dei aula para ele hoje. Conversei, brinquei, dei risada. Dei um abrao to gostoso, e agora acabou.

O derradeiro domingo em famlia comeou normal. Segundo a vizinha Rosemari, no domingo 4, por volta de meio-dia, o adolescente saiu de carro com os pais para almoar no shopping. J durante a tarde, a famlia recebeu a visita do tenente da Polcia Militar Csar Bovo, irmo de Andria. O que aconteceu depois ainda est envolto em mistrio. Fundamentais para elucidar os fatos, os laudos do IML, que determinam a hora das mortes, de balstica e toxicolgicos s devem sair no incio de setembro.

